A importância do brincar

As crianças pensam o mundo de um jeito especial e muito individual. Desta forma, a partir das relações que estabelecem com a realidade em que vivem, com o meio familiar e com as pessoas com que necessitam se relacionar no cotidiano, é que elas passam a compreender o mundo. Sendo assim, é através do ato de brincar que a criança desperta suas habilidades mais precisas para um bom desenvolvimento, que a conduzirá durante toda a sua vida. 

Segundo Kishimoto (2012, p. 111), o brincar “[...] é a forma mais livre e singular, que designa as formas mais primitivas de exercício funcional”. Brincar se configura como uma necessidade básica da criança, além de ser um direito a ela conferido. A brincadeira é uma fonte cheia de possibilidades tanto para a criança, quanto para o adulto que convive com ela, pois nos momentos lúdicos são postas em ação várias competências e estabelecidas relações de sentidos.

A clínica com crianças e adolescentes é objeto de estudo nas diferentes linhas teóricas da Psicologia tais como a Psicanálise, Cognitivo Comportamental e o Humanismo, pois é considerada como mais uma possibilidade diagnóstica e/ou terapêutica (Conti & Souza, 2010). Nos atendimentos com crianças é possível através do brincar investigar doenças e verificar características saudáveis e dificuldades da criança diagnosticando possíveis patologias (Matioli, Falco & Barros, 2007). 

Na teoria piagetiana, a brincadeira não recebe uma conceituação específica. Na análise de Piaget (1971), a brincadeira é entendida como ação assimiladora, que surge como forma de expressão da conduta, dotada de características espontâneas e prazerosas, onde a criança constrói conhecimentos. Então, quando a criança brinca ela entende o mundo da sua maneira, sem compromisso com a realidade, pois sua interação com o objetivo não depende da natureza do objeto, mas da função que a criança lhe atribui. 

Para os pequenos, o brinquedo não é uma simples recreação ou passatempo, mas sim a forma mais completa que eles têm de se comunicar consigo mesmos e com todo o mundo. É a partir da magia do brinquedo que eles desenvolvem a autoestima, a imaginação, a confiança, a cooperação, a curiosidade, a iniciativa, o relacionamento interpessoal, entre outros. Quando a criança brinca, experimenta, descobre, inventa, ela exercita e confere suas habilidades físicas e cognitivas. O brincar permite, ainda, que a criança aprenda a lidar com as emoções equilibrando as tensões provenientes de seu mundo cultural, construindo assim a sua individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade.

Atualmente o brincar para criança é um grande desafio, pois o ambiente que ela está inserida normalmente permite que a brincadeira aconteça de modo virtual e sem esforços, engessando suas movimentações tanto corporais quanto no que tangem o precisar pensar. É importante ressaltar que apesar do conjunto brincar e a tecnologia estarem cada vez mais modernos e atrativos, e as crianças estarem completamente imersas nessa dualidade, é considerável lembrar que o contato físico com colegas e amigos ainda é essencial para um desenvolvimento infantil de forma saudável, sendo assim é necessário que os pais instiguem esse lado do convívio para haver comunicações físicas duradouras. 

Por fim, conclui-se que quanto menos atenção a criança recebe, mais risco de desenvolver dificuldades sociais ela corre, além de que crianças que não brincam podem desenvolver déficits e problemas no QI (coeficiente de inteligência), bem como na atividade neural e na linguagem. Sendo assim, é imprescindível que a brincadeira faça parte do dia a dia da criança, e em momentos como este, em que a pandemia causada pelo novocoronavírus não permite que as escolas funcionem de maneira integral, são os cuidadores que devem assumir a responsabilidade e fornecer espaços propícios para um brincar saudável.

 

Autoras do texto:

  • Laura Vieira Moura- Graduanda do Curso de Psicologia da Universidade Franciscana- UFN
  • Camila Siqueira de David- Graduanda do Curso de Psicologia da Universidade Franciscana- UFN
  • Julia Cerezer-  Graduanda do Curso de Psicologia da Universidade Franciscana- UFN
  • Victória Kuster- Graduanda do Curso de Psicologia da Universidade Franciscana- UFN


Para mais leituras sobre: 

CONTI, Fábio Donini; SOUZA, Audrey Setton Lopes de. O momento de brincar no ato de contar histórias: uma modalidade diagnóstica. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 30, n. 1, p. 98-113,    2010 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000100008&lng=en&nrm=iso>. access on  23  Apr.  2021.  https://doi.org/10.1590/S1414-98932010000100008.

KISHIMOTO, Tizuko M. O brincar e suas teorias. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

MATIOLI, A. S.; FALCO, A. M. C.; BARROS, M. S. F. O lugar do brincar: onde e como se brinca na atualidade. Revista indexada no Periódico, índice de revistas Latino Americanas em Ciências, 2007.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança, imitação, jogo, sonho, imagem e representação de jogo. São Paulo: Zanhar, 1971.

 


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Colaboradores

Camila Siqueira de David

Graduanda do curso de Psicologia

Julia Cerezer

Graduanda  do curso de Psicologia

Laura Viera Moura

Graduanda do curso de Psicologia

Marcli Firpo Bittencourt

Autora do portal que surgiu como produto do Mestrado Materno infantil- UFN

Currículo Lattes

Pâmela Schultz Danzmann

Co-autora do portal Parentalidade Mais. Graduanda do Curso de Psicologia da Universidade Franciscana- UFN.

Victória Kuster

Graduanda do curso de Psicologia