Ainda temos muito a aprender com a pandemia: e podemos fazer isso brincando!
As incertezas atravessadas no contexto da Covid-19, podem gerar ansiedade e angústias em todas as idades, quanto às crianças, mesmo protegidas de muitas informações, acabam absorvendo emoções e sentimentos, sobretudo, dos pais. Desse modo, refletir sobre como as restrições causadas pela pandemia são interpretadas pela imaginação infantil, e, especialmente, o que sentem, é fundamental para que se transite o mais seguro possível, física e psicologicamente, por esse cenário que se alastra. Segundo estudiosos, esconder a realidade não é o melhor caminho, sendo essencial que os cuidadores consigam dialogar com os pequenos sobre os medos, angústias e frustrações, bem como proporcionem a representação, de modo simbólico, desses sentimentos.
Por isso, proporcionar atividades que permitam essas simbolizações é extremamente importante. Também, de acordo com especialistas, é preciso escutar o sofrimento antes que eles se tornem sintomas. O mais interessante é que essa simbolização e escuta pode ser realizada através da brincadeira, da ludicidade. Através do brincar, a criança é capaz de demostrar as suas emoções, proporcionando-se um caminho para que ela elabore os desafios infantis em tempos de pandemia. Principalmente agora - com a reabertura das escolas – quando adentramos para uma nova fase de readaptações, pois o ensino presencial no contexto pandêmico, ainda que em muitos casos híbrido, faz emergir diversos sentimentos a quem retoma à convivência escolar com inúmeras restrições.
À vista disso, os protocolos sanitários exigidos, bem como o temor de ser infectado e/ou transmitir a COVID-19, resultam num novo modo de se relacionar, mesmo quando a volta às aulas é muito esperada. Ademais, para muitas crianças, por diversos motivos, os pais e cuidadores optam por não retomarem o contato físico de forma mais ampla, já que não é obrigatório o retorno presencial. Para todos, compreender o que está acontecendo e aprender – tanto quanto possível - a lidar com a realidade é essencial para a saúde mental.
Com a intenção de ajudar os pais e/ou cuidadores, preparamos alguns instrumentos - através de vídeos - para que o universo infantil possa, divertidamente, enfrentar algumas importantes elaborações, e, quem sabe, sirva de exemplo para que outros produtos e aprendizados sejam construídos junto aos pequenos e pequenas.
Os quatro vídeos abaixo (caso publicados abaixo, ou mencionar conforme for disposto no site) abordam temáticas para diferentes idades. Para os menores de dois anos, sugere-se o vídeo “Vamos cantar com o peixinho da maré?”. Por volta de dois a sete anos, dispõe-se o vídeo “Vamos construir o quebra-cabeças dos amigos macaco e sapo?”. Já para os maiores de sete, convidamos a aprender a deliciosa receita de nhoque de batata, através do vídeo “Aprendendo a fazer um delicioso Nhoque”.
Vamos entender por que pensamos nesses dispositivos?
O Vídeo “Vamos cantar com o peixinho da maré?” traz a música como ferramenta para reforçar positivamente a amizade sem preconceitos, tal qual a importância do carinho e o respeito, incentivando a criança a dançar e cantar, estimulando o desenvolvimento cognitivo e motor. Além disso, proporciona o interesse pela leitura, ajuda no desenvolvimento psicológico e moral e auxilia - como os demais - na manutenção da saúde mental das crianças em fase de desenvolvimento, como também a ampliação do vocabulário e do mundo de ideias.
Se o pequeno ou a pequena gostar muito do peixinho da maré e quiser cantar com o seu próprio peixinho, facilmente poderá construí-lo, a partir de materiais recicláveis e alguns outros bem simples; descubra assistindo o vídeo “Construindo o peixinho da maré”. Essa atividade colabora para o desenvolvimento das motricidades grossa e fina, cognição, memória, criatividade, além de arquitetar transformações, despertando a autoconfiança e a realização.
Nesse mesmo sentido, os ensinamentos do vídeo “Vamos construir o quebra-cabeças dos amigos macaco e sapo?”. A elaboração do quebra-cabeças é fácil e a confecção pode se dar com materiais recicláveis. Disponibiliza-se, nesta página, a imagem para a impressão, caso queiram usá-la, mas a criança também pode escolher a figura a ser utilizada, estimulando-se, assim, as suas escolhas, tal qual a criar a história da sua opção. Esse exercício proporciona o desenvolvimento da cognição, memória, criatividade, raciocínio lógico, podendo impulsionar a sensibilidade para agir independentemente.
Para os maiores de sete até cerca dos onze anos, exibe-se o vídeo “Aprendendo a fazer um delicioso Nhoque”. A receita culinária, simples e saborosa, foi escolhida pois, segundo estudiosos, esse é um ótimo período para começar a inserir a criança na cozinha, uma vez que, nessa fase, as crianças já sabem ler as receitas e utilizar alguns utensílios, incluindo facas simples, como as de mesa, o que auxilia a motricidade fina. Além disso, refletir sobre a união de diferentes ingredientes que produzem o alimento, sendo que todos são únicos e essenciais, pode ser bastante interessante para a interlocução sobre as singularidades e o modo especial de ser de cada um.
Vamos fazer tudo isso nutrindo o diálogo com muito amor?
Referências bibliográficas
BRENMAN, Ilan. InstaBio, 2020.
DUNKER, Christian. Narcisismo ressentido, o sintoma nacional que chegou ao poder. Revista Cult, 2021.
SOUZA, Natália Moreira de; WECHSLER, Amanda Muglia. Reflexões sobre a teoria piagetiana: o estágio operatório concreto. Cadernos de Educação: Ensino e Sociedade, Bebedouro-SP, 1 (1): 134-150, 2014.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Diálogo é o caminho para ajudar crianças a vencer as angústias da pandemia, 2020.
ZANFOLIN, Thainá; JUNQUEIRA, Sheila. 22 receitas deliciosas para fazer com as crianças!
Graduanda em Psicologia pela Universidade Franciscana. Interessa-se pela parentalidade, psicologia da infância e familiar.
Graduanda em Psicologia pela Universidade Franciscana. Interessa-se e pesquisa sobre educação e aprendizagem.
Graduanda em Psicologia pela Universidade Franciscana. Interessa-se por Psicologia Social, Psicanálise e Cultura.
Graduanda em psicologia pela Universidade Franciscana. Interessa-se pela perinatalidade, parentalidade e primeira infância.