A pandemia modificou a rotina de diversas famílias no mundo, isso tudo com a finalidade de proteção e prevenção da disseminação do vírus. Nesse sentido, houve um impacto na infância, visto que as crianças tiveram que se ausentar das salas de aula, evitar os passeios no parque e as brincadeiras ao ar livre, bem como se distanciar de figuras importantes nas suas vidas, como os avós, tios e amigos próximos. Como se fosse pouco, podem acabar perdendo pessoas importantes de suas vidas e isso vir a desencadear efeitos traumáticos na infância (AYDOUGDU, 2020). Quando existem perdas na família de um modo abrupto e a criança não compreende o que acontece pode-se regredir comportamentos já adquiridos, entre eles voltar a urinar na cama, chupar o dedo ou bico e até apresentar uma fala mais infantilizada. Outra mudança de comportamento adotada é chamar a atenção dos pais. Isso pode estar ligada ao fato da criança não compreender o que está acontecendo ou não conseguir expressar seus sentimentos diante da perda (DANZMANN; SILVA; GUAZINA, 2020). Ademais, destaca-se que, modificações de humor, sintomas de estresse pós-traumático, depressão ou ansiedade devido a perdas familiares podem ser muito comuns em um contexto de tantas mortes diárias e impactar negativamente na saúde mental infantil. Além disso, pesquisas apontam sintomas físicos, como dores de cabeça, nas costas, desconforto estomacal, além de comportamentos como irritabilidade, choro constante, agressividade, automutilação infantil. Nas crianças, podem surgir ainda sentimentos associados a perdas secundárias, originadas com a morte de um ente querido, como mudança de endereço e estilo de vida, perda de contato com pessoas importantes, mudança de interesses, ou até menor disponibilidade de atenção do(a) pai/mãe (ANGELLELI; CONDE, 2020). Destaca-se que as crianças nos seus primeiros anos de vida podem ter dificuldade na compreensão de conceitos difíceis como perda e luto. Contudo, é de extrema importância que se discuta esses assuntos em uma linguagem que seja compreensível, para que de fato a criança entenda e que possa elaborar o que sente. A experiência da criança com o luto é importante, nesse sentido, é normal demonstrar algumas reações como tristeza, saudade, agitação, medo e ansiedade de separação, dificuldade para dormir, entre outros. Diante disso, o melhor que se tem é oferecer continência e acolhimento aos sentimentos infantis. Tudo isso acaba moldando a criança para que possa lidar com momentos difíceis. Ainda no que se refere ao contexto familiar, existem fatores que dificultam o luto e as perdas como o ocultamento das informações verdadeiras, negação do sofrimento infantil e o não compartilhamento do luto familiar. Já podem ser observados alguns impactos relativos a perdas e ao processo de luto na infância. Para que a saúde mental seja preservada é fundamental poder explicar à criança a realidade mundial, em uma linguagem simples. Outras formas de facilitar seria abrir um espaço para que a criança expresse as suas emoções. Além disso, o apoio de familiares e amigos também é fundamental, de modo a responder às principais dúvidas que a criança têm em relação ao familiar perdido.
TEXTO APRESENTADO NO PRIMEIRO CONGRESSO NACIONAL EM SAÚDE MENTAL INFANTIL
Referências:
ANGELELLI, C.; CONDE, R. COVID-19: A criança diante da doença, morte e luto em tempos de pandemia. Documento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo. Disponível em: https://www.spsp.org.br/PDF/SPSP-DC%20Sa%C3%BAde%20mental-Covid%20e%20luto-02.10.2020.pdf. Acesso em: 02 jul. 2021.
AYDOUGDU, A. L. F. Saúde mental das crianças durante a pandemia causada pelo novo coronavírus: revisão integrativa. Journal Health NPEPS, v.5, n.2, p.1-17, 2020. https://docs.bvsalud.org/biblioref/2020/10/1121231/4891-17538-2-pb.pdf. Acesso em: 02 jul. 2021.
DANZMANN, P. S.; SILVA, A. C. P.; GUAZINA, F. M. N. Implicações da morte e luto na saúde mental do sujeito frente à pandemia, Revista ID online: revista Multidisciplinar de Psicologia, v.15, n.55, p.33-51, 2020. Disponível em: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/3016/4841. Acesso em: 02 jul. 2021.
FIOCRUZ. Fundação Oswaldo Cruz. Guia de atenção Psicossocial para o enfrentamento da Covid-19. 2020. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/cartilha_recomendacoes_gerai s_06_04.pdf. Acesso em: 02 jul. 2021.
Co-autora do portal Parentalidade Mais. Graduanda do Curso de Psicologia da Universidade Franciscana- UFN.